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TAMANDARÉ Chico Buarque (Brazil) - 1965 Zé qualquer tava sem samba, sem dinheiro Sem Maria sequer Sem qualquer paradeiro Quando encontrou um samba Inútil e derradeiro Numa inútil e derradeira Velha nota de um cruzeiro ``Seu Marquês'', ``seu'' Almirante Do semblante meio contrariado Que fazes parado No meio dessa nota de um cruzeiro rasgado ``Seu Marquês'', ``seu'' Almirante Sei que antigamente era bem diferente Desculpe a liberdade E o samba sem maldade Deste Zé qualquer Perdão Marquês de Tamandaré Pedrão Marquês de Tamandaré Pois é, Tamandaré A maré não tá boa Vai virar a canoa E este mar não dá pé, Tamandaré Cadê as batalhas Cadê as medalhas Cadê a nobreza Cadê a marquesa, cadê Não diga que o vento levou Teu amor até Pois é, Tamandaré A maré não tá boa Vai virar a canoa E este mar não dá pé, Tamandaré Meu marquês de papel Cadê teu troféu Cadê teu valor Meu caro almirante O tempo inconstante roubou Zé quaquer tornou-se amigo do marquês Solidário na dor Que eu contei a vocês Menos que queira ou mais faça É o fim do samba, é o fim da raça Zé qualquer tá caducando Desvalorizando Como o tempo passa, passando Virando fumça, virando Caindo em desgraça, caindo Sumindo, saindo da praça Passando, sumindo Saindo da praça

    



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